sábado, 14 de janeiro de 2012

ARTIGO - ELISANGELA MISTURA

Ser Professor...

A partir da leitura dos textos e de nossas experiências podemos destacar sem duvida tanto com a escola e os sujeitos que fazem parte dela é de extrema necessidade, ambos devem andar lado a lado para obterem significados e resultados importantes.
O diálogo entre os profissionais é muito importante, pois se pode diagnosticar os problemas e enfrentá-los juntos. Assim podemos construir projetos sólidos, conhecendo os alunos, suas necessidades, que praticas que deveriam ser adotadas para construir conteúdos de forma significativa, e assim despertar o interesse dos alunos.
A investigação na própria comunidade para estarmos a par da realidade e necessidade dos sujeitos que fazem parte da escola. Deste modo investigando, refletindo, planejando e efetuando ações poderemos formar pessoas criticas.
Sobre a perspectiva do professor como investigador da própria pratica, posso dizer que o conhecimento esta contida na própria ação, ou seja, ao agir demonstra o conhecimento que possui. No momento em que o professor para e reflete faz uma pausa em sua ação, é um momento que ele pensa e reorganiza o que esta fazendo geralmente isso acontece diante de situações inesperadas, e na maioria das vezes não encontra respostas.
Nem sempre quando paramos o que estamos fazendo, para refletir sobre isso, estamos ampliando o compreendi mento do que fazemos. Mas ao refletirmos sobre o que estamos fazendo, passamos a refletir sobre um fazer passado e essa reflexão pode nos ajudar em futuros fazeres e nos dar um novo entendimento sobre o momento.
O cotidiano escolar é um espaço complexo, portanto é necessária a utilização da criatividade e da sensibilidade para interagir em problemas da ação pratica. Sabemos que na atividade pratica e no cotidiano escolar é que o professor, dia após dia, vai sendo formado ao construir refletindo e reconstruindo sua pratica.
A pesquisa não é só uma forma de aproximação da escola e da comunidade é também olhar e refletir sobre o fazer pedagógico. Pesquisar o entorno e aprofundar o conhecimento da realidade que cerca a escola. Também perceber a importância da pesquisa para poder através dela, ampliar o conhecimento sobre a realidade do sujeito e a historicidade do lugar e contribuir com as pessoas dali, para que todos dentro de suas ações venham somar para melhorar o ambiente escolar. A diretora e vice compartilham a responsabilidade da administração e dinamização de todo o trabalho da escola e comunicam todas as ações para os sujeitos que fazem parte dela assim todos podem dar a sua opinião e participação é feito um trabalho em equipe.
A investigação é um exercício colaborativo, onde propicia ao futuro professor o conhecimento da localidade em suas especificidades, de modo a atender o modo como os sujeitos que constroem seus espaços. Conhecê-lo bem mais que mapear e sim conseguir buscar referencias próprias das pessoas para o espaço em que elas vivem.
A escola se organiza de forma participativa e dialógica onde toda podem dar suas contribuições de uma forma democrática assim conseguem dar conta de suas atividades escolares. Todas essas informações foram observadas nos diálogos com os sujeitos participantes da instituição nas visitas semanais na EMEI Mágico de Oz onde a direção nos passa todos os dados que precisamos para cada vez mais enriquecer nossa pesquisa.
Entender as formas das pessoas falarem e expressarem e como elas se organizam para sobreviverem. Conhecer a realidade não como sujeitos de fora, mas com os olhos de quem faz parte dela.
Aprimorar a pesquisa e investigação das diferentes linguagens, desta forma aprimorando a parceria com a família do entorno da escola através de relatos feitos por fotos e conversas, e assim compreendendo melhor a realidade que constitui não só o sujeito, mas a sua realidade e do entorno.
Cada um tem um papel coletivo, participativo e democrático das investigações pretendidas, isto são as propostas de que vai se investigar, como se vai investigar e de que forma, isso é parceria e democracia.
Para que isso ocorra o dialogo é fundamental onde todos participam para um desenvolvimento não só para os educadores, mas também para os educandos e todos os sujeitos participantes.
Compreender a tarefa docente, trabalhando em equipe, saber que a tarefa do professor não é de passar conhecimentos ao sujeito e sim haver uma troca mutua de saberes. (Freire, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes Necessários a Prática Educativa. São Paulo. Paz e Terra, 2002. PP.23-51.).
É um modo de aprender e ao mesmo tempo exercitar o que é aprendido, fazer com que a cultura popular seja assumida e não omitida, que não sintam vergonha de suas origens, que saibam dar valor as coisas simples, a atos e fatos que às vezes ficam no anonimato, mas são de grande valor.
Ser professor não é ditar regras, e sim construir práticas educacionais, focalizando os problemas, diagnosticar e buscar soluções junto à comunidade, enfim para ser professor tem que ser humano.
A esperança e o otimismo na possibilidade são um passo gigante na construção e formação do professor que “que deve coincidir com sua retidão ética” (p18). Paulo Freire, um professor excepcional não só procurou perceber os problemas educativos, mas propôs uma pratica educativa para resolvê-los.
Os registros são de grande importância para a organização curricular, adequar os conteúdos e adaptarmos com a realidade dos sujeitos. O planejamento está em tudo inclusive na gestão escolar, tudo é planejado, e nesse planejamento todos participam: equipe diretiva, professores, serviços de apoio, alunos, pais, funcionários e a comunidade.
Todos os sujeitos que fazem parte da instituição EMEI Mágico de Oz percebem as suas ações através da participação popular, todos participam cada um dentro de suas necessidades, e todos se sentem como parte integrante da instituição e que sem a parte deles nada funcionaria da forma que deveria ser.
Compartilhar experiências, dificuldades, problemas, resultados, caminhos que nos tragam reflexões e aprendizados capazes de reorientar nossas praticas, a importância de aprendermos com as praticas da educação popular e saber dividi-las. A sistematização, como reflexão sobre a ação, nos auxilia a entender que a realidade é aquilo que nosso modo de observar-nos deixa ver.
“A sistematização é aquela interpretação critica de uma ou varias experiências que, a partir de seu ordenamento e reconstrução, descobre ou explicita a logica do processo vivido, os fatos que intervierem no dito processo, como se relacionam entre si e porque o fizeram desse modo. Podemos adicionar, ainda que a sistematização produzisse um novo conhecimento, possibilita a generalização, converte a própria experiência em objeto de estudo e de interpretação teórica e, ao mesmo tempo em objeto de transformação. Ao sistematizar as pessoas recuperam de maneira ordenada o que já sabem sobre sua experiência, descobrem o que não sabem sobre ela e o que não sabiam que já sabiam”. Holliday, (1996:14).
Sistematizar é classificar informações obtidas pela pesquisa do entorno escolar, e essas informações e experiências obtidas classificamos por ações dos sujeitos, tempo, espaço, o que acontece nesse cotidiano. Tudo o que estamos vivenciando naquele momento, presenciando, participando, interferindo isto é história, e ao longo deste caminho classificamos nossas experiências para compreender, interpretar, ordenar ou reconstruir ou até transformar nossas experiências.
Temos que classifica-las para podemos reconstruir melhor compreender e não modificar, mas ordenar e construir, sabendo o que e o por quê? A sistematização ou classificação é mais do que um método é uma proposta que permite a reconstrução adequada do que ocorreu, e assim avaliar, interpretar e tirar conclusões para outras praticas futuras.
Nós devemos sistematizar a experiência, contribuir para que todos os sujeitos que fazem parte da escola sejamos aqueles que podem sistematiza-las. Assim na pratica dessas vivencias, dentro do entorno escolar que vamos fazer uma troca de experiências.
Os objetivos principais da sistematização são três: a experiência na vivencia escolar para melhorar nossa própria pratica; o segundo não só compreender a pratica para melhorar, mas também compartilha-la com outros grupos que fazem as mesmas experiências; o terceiro é que a sistematização de experiências nos enriquece a reflexão teórica a partir dos conhecimentos que surgem praticas concretas.
As condições para a sistematização tem que ser espontâneas, normalmente fazer parte do espaço, e vivenciar tudo que acontece para poder compreendê-lo.
Todos participam cada um em seu espaço, a direção toma decisões de forma coletiva em reuniões, onde dependendo do assunto todos participam. Isso possibilita a construção democrática e consequentemente um desenvolvimento saudável para todos os sujeitos que fazem parte da instituição.
Para suprir a ausência de limites, a escola se propõe a realizar atividades em que os alunos tenham a oportunidade de dividir brinquedos e objetos pessoais, realizar trabalhos em grupo, momentos de atividades que desenvolvam a convivência, o respeito ao próximo e organizar-se dentro da rotina da escola. Proporcionando uma educação inclusiva respeitando o acesso e direito de toda a educação, conforme Politica Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.
A educação é muito importante na sociedade em que se vive, mas não pode ser apenas a transmissora de uma cultura, oferece simples instrumentação, conhecimentos ou habilidades que nem sempre significam condições de opção ou possibilidade de fazer valer a sua experiência de pessoas livres e responsáveis. Ela é vista como um processo natural, entretanto educação e aprendizagem não acontecem de modo isolado, mas sim um todo em articulação com todos os segmentos da sociedade.
Para a construção de conceitos e um nível de aprendizagem qualitativo e satisfatório, faz-se necessário repensar as praticas pedagógica bem como a musica e o brincar estes, que muitas vezes ainda são introduzidos em nosso sistema educacional como simples recreação ou preenchimento do tempo vago.
De acordo com os textos lidos e o aprendizado ao longo destes quatro anos, podemos dizer que aprender não significa acumular conhecimentos já prontos, mas significa saber descobri-los, inventar-los e reinventar-los.
O espaço da sala de aula precisa ser entendido como um espaço de investigação, entendido e encarado dessa forma, o professor poderá refletir e reconstruir a sua pratica através de um questionamento constante, e de uma troca de saberes com os demais sujeitos da instituição.
Ser professor não é ditar regras e sim construir praticas educacionais, focalizando os problemas, diagnosticar e buscar soluções junto à comunidade.

Referencias Bibliográficas:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários a prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
JARA, Oscar Holliday. Sistematização das Experiências: algumas apreciações.

Artigo publicado pela aluna Elisangela Mistura - Pedagogia 1

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