AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM
RESUMO
O presente artigo científico (paper) tem a finalidade de observar a Avaliação da Aprendizagem, investigar as práticas desenvolvidas no processo ensino aprendizagem, com o intuito de refletir sobre a importância da criança ser bem avaliada. Tendo-se como conclusão principal que a avaliação da aprendizagem é um caminho bastante válido para que se processe o olhar e a escuta necessários para o desenvolvimento de cada criança de forma plena e desafiando quaisquer situações de aprendizagem escolar.
Palavras-chave: Avaliação; Educação; Aprendizagem.
1 INTRODUÇÃO
Atualmente a ênfase está no aprender e esse aprender necessita de várias formas de avaliação. Muitas são as perguntas que ficam no ar: Qual é o tipo de avaliação ideal? Como explicar a Avaliação da Aprendizagem? Avaliar para quê?
Têm-se alunos com dificuldades, tem-se também um contexto escolar que é preciso ser modificado, pois a escola necessita oferecer uma proposta mais estimulante para que realmente a aprendizagem aconteça, favorecendo assim, o avanço desses alunos.
Mais que ensinar a ler, a escrever, é preciso ouvir aos apelos silenciosos que ecoam do íntimo do educando, mais do que avaliar ou dar uma nota é importante ensinar mostrando que sempre é possível fazer a diferença.
Conforme Freire (1990, p.8) “aprender a ler e escrever é, antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender seu contexto, não uma manipulação mecânica de palavras mas uma relação dinâmica que vincula linguagem e realidade”.
2 AVALIAR PARA ENSINAR MELHOR
A concepção de avaliar contida nos Parâmetros Curriculares Nacionais é explicitada como parte integrante e essencial ao processo educacional, deixando de ser apenas controle externo do aluno mediante notas ou conceitos.
A avaliação, ao não se restringir ao julgamento sobre sucessos ou fracassos do aluno, é compreendida como um conjunto de atuações que tem a função de alimentar, sustentar e orientar intervenção pedagógica.(PCN, V.1 p.81)
Acredita-se, em uma avaliação contínua, capaz de interpretar o conhecimento construído pelo aluno. Dessa forma, é possível verificar o que foi construído e onde estão as falhas do processo ensino aprendizagem.
A avaliação permite ao professor fazer uma reflexão contínua sobre sua prática, retomando aspectos que necessitam ser revistos ou criando novos instrumentos de trabalho que venham enriquecer o processo educacional. Sendo assim, cai por terra tomar a avaliação como uma ação a ser praticada apenas no final das etapas do trabalho.
De grande importância é a avaliação investigativa ou diagnóstica, que instrumentaliza o professor para que possa ter um ponto de partida, para pôr em prática o seu planejamento baseado nos conhecimentos prévios dos alunos e em suas expectativas. Segundo Paulo Freire (1990, p.24), “A avaliação não é o ato pelo qual A avalia B, é o ato pelo qual A e B avaliam juntos uma prática, os obstáculos e os erros porventura cometidos”.
A avaliação pode ser encarada como um elemento integrador entre a aprendizagem do aluno com o objetivo de considerar não apenas as expectativas de sua aprendizagem, e as condições oferecidas para que isso ocorra. Se por exemplo, não há aprendizagem esperada, isso significa que o ensino não cumpriu com sua finalidade.
3 FORMAS DIVERSIFICADAS DE AVALIAÇÕES
Nesse processo, é importante que o professor faça uso de diferentes instrumentos de avaliação.
A adoção de diversificados instrumentos oportuniza ao professor:
- ter clareza e segurança sobre o que precisa ser aperfeiçoado;
- colher mais dados para oportunizar seu trabalho;
- propor tarefas contextualizadas;
- reforçar a relação avaliação/ensino.
Sugere-se que o aluno seja permanentemente acompanhado pelo professor no processo ensino aprendizagem, pois entende-se a avaliação como processo contínuo, diferente, portanto da mera aplicação de provas periódicas do ensino convencional. Quando bem elaboradas, a prova escrita sempre terá seu “lugar ao sol” como mais um recurso entre os vários que podem ser utilizados na avaliação. Sempre com caráter diagnóstico e não de punição, de certo ou de errado, de exclusão. Além disso se utilizar apenas provas escritas, nunca chegará a avaliar aspectos importantes como os comportamentos e as atitudes: espírito participativo, organização, honestidade, criticidade, pontualidade, solidariedade, responsabilidade, entre outros.
Propõe-se que o professor diversifique as formas e instrumentos de avaliação. Pois é fundamental que a avaliação reflita, ao máximo, as diversidades listadas a seguir, para que esteja em consonância com a proposta apresentada. Como:
- experimentação
- pesquisa (de campo, bibliográfica, de laboratório, de improvisação na sala de aula)
- construção (muitas vezes improvisando a partir de sucatas)
- oralidade
- entrevistas
- participação em clubes de ciências
- dramatização
- exposições
- excursões e visitas
- coleta e classificação (de dados objetos)
- artes plásticas (pintura, música, modelagem)
A participação dos alunos nas situações de avaliação é fundamental. Através da auto-avaliação, ele reflete sobre seus avanços e ou limitações. Segundo Jussara Hoffmann (1994, p.36) “Antes de se fazer diferente é necessário pensar diferente sobre o que faz”. Avaliar... nada mais é que pensar sobre a qualidade de percurso e sobre o valor da chegada.
4 FINALIDADE DA AVALIAÇÃO
Para melhor entender este complexo tema da Avaliação da Aprendizagem, observa-se as finalidades da avaliação.
4.1 AVALIAÇÃO X NOTA
Há que se distinguir, inicialmente, “Avaliação e Nota”. Avaliação é um processo da existência humana, que implica uma reflexão crítica sobre a prática, no sentido de captar seus avanços, suas resistências, suas dificuldades e possibilitar uma tomada de decisão sobre o que fazer para superar os obstáculos.
A nota, seja na forma de número ( ex: 0-10) conceitos (ex: A, B, C, D), ou menção (ex: Excelente, Muito Bom, Bom, Satisfatório, Insatisfatório) é uma exigência formal do sistema educacional. Pode-se imaginar um dia em que não aja mais nota na escola ou qualquer tipo de reprovação, mas certamente haverá necessidade de continuar existindo avaliação, para poder se acompanhar o desenvolvimento dos educandos e ajudá-los em suas eventuais dificuldades.
A prova é apenas uma das formas de gerar nota, que por sua vez, é apenas uma das formas de avaliar. Assim, pode-se atribuir Nota sem ser por Prova, bem como pode-se avaliar sem ser por prova, pela nota (este dia parece não ter chegado ainda...).
4.2 SUPERAR A LÓGICA DO DETETIVE
Que espírito deve ter o professor, diante da avaliação: do policial que fica procurando o culpado, o errado, o fora do padrão ou do pedagogo que acompanha o crescimento da criança, procurando dar-lhe as melhores condições de desenvolvimento? O educador não pode se deixar levar pela “lógica do detetive” ou seja, estar mais preocupado em verificar que cometeu um “crime” do que ajudar no processo de construção do conhecimento. Atualmente, os educadores assumiram tanto esse papel de controle, de fiscais, que nem há mais necessidade de controle do trabalho de sala de aula por parte dos inspetores de Educação. Muitas vezes, desempenha-se, ainda que sem querer, o papel do detetive que procura avidamente entre os alunos aqueles que não são “capazes”, que estariam a enganar a sociedade. Localizados, eles realizam-se, punindo-os com nota baixa e reprovação... De que pressuposto parte-se: de que há “farsantes” no meio do grupo ou de que todas as crianças são capazes de aprender?
Por detrás da maneira como a nota é na escola, pode-se perceber a presença de uma pedagogia comportamentalista, baseada no esforço-recompensa, no prêmio-castigo. Tanto o prêmio como o castigo são deseducativos, uma vez que o primeiro gera satisfação dependência (se não tiver uma recompensa o sujeito não age...) e o segundo gera revolta e também dependência ( se não tiver alguma ameaça o sujeito não age...). A nota, ao invés de ser um elemento de referência de trabalho de construção de conhecimento, passa a desempenhar justamente o papel de prêmio ou de castigo, alienando a relação pedagógica, na medida que tanto o aluno como o professor passam a ficar mais preocupados com a nota com que a aprendizagem.
4.3 RELAÇÃO AVALIAÇÃO – CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO
Para a pergunta “avaliar para quê?” pode-se encontrar uma gama enorme de respostas. Avaliar para: atribuir nota, registrar, mandar a nota para a secretaria, cumprir a lei, ter documentação para se defender em caso de processo. Verificar, constatar, medir, classificar, mostrar autoridade, conseguir silêncio em sala de aula, selecionar os melhores, discriminar, marginalizar, domesticar, rotular/estigmatizar, mostrar quem é incompetente, comprovar o mérito individualmente conquistado, dar satisfação aos pais, não ficar fora da prática dos outros professores, ver quem pode ser aprovado ou reprovado, eximir-se de culpa, achar os culpados, verificar o grau de retenção do que fala-se, incentivar a competição, preparar o aluno para a vida, detectar “avanços e dificuldades”, ver quem assimilou o conteúdo, saber quem atingiu os objetivos, ver como o aluno está se desenvolvendo, diagnosticar, investigar, tomar decisões, acompanhar o processo de construção do conhecimento do aluno, estabelecer um diálogo entre educador, educando e contexto de aprendizagem, avaliar para que o aluno aprenda melhor.
5 CONCLUSÃO
A educação, responsabilizadas por êxitos e por fracassos, pela formação do homem que faz a sociedade melhor ou pior, é objeto de constantes preocupações.
A realização de um ensino que atenda as diferenças individuais e o mundo com todas as suas exigências e solicitações é uma, ou principal, dificuldade encontrada nesta área, ou seja, na educação. Sabe-se que é um desafio e a tarefa é bastante difícil. Por isso, a escola precisa estar atenta, aberta, à diversidade, onde os alunos possam se beneficiar de suportes individualizados, principalmente se tratando de alunos que estão em situação que os impede de alcançar sucesso na “aprendizagem”.
Quando a escola for um lugar onde seus alunos são respeitados e reconhecidos nas suas diferenças, então, a superação de obstáculos que os impede de avançar no sentido de garantir um ensino de qualidade, naturalmente acontece.
Conclui-se este trabalho com a certeza de que se educa a partir de dentro, no encontro entre pessoas, com esperança de processo educacional, com empenho na árdua batalha de desencadear mudanças neste processo e com atenção voltada para aqueles aspectos que são indicadores na transformação da educação.
Ter um ideal e jamais esquecê-lo: “Ser uma metamorfose ambulante em vez de ter aquela velha opinião formada sobre tudo”, como cantava Raul Seixas.
6 REFERÊNCIAS
ANDREOLA, Balduino A. O processo de conhecimento em Paulo Freire. 18 ed. Porto Alegre: Educação e realidade, 1993.
ESCOLA. A revista do professor. Janeiro/Fevereiro 2003.
HOFFMANN, J. Avaliação Mediadora. 5ª ed. Porto Alegre: Educação e realidade, 1994
SANTOS, Celso Vasconcelos dos. Avaliação e o desafio da aprendizagem e o desenvolvimento humano. São Paulo: Cortez, 1996
Artigo publicado pela aluna Daiana Trentin Risso - Pedagogia 1
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