INCLUSÃO
Inclusão deve-se conhecer o que é realmente a inclusão; as pessoas com deficiência. palavra “deficiência” lembra ausência, anomalia ou insuficiência de um órgão, de uma função fisiológica, intelectual ou social (de acordo com o documento da CNBB,2006,p 32.). A noção de deficiência é complexa e está associada à ideia de imperfeição, fraqueza, carência, perda de qualidade e quantidade. A palavra deficiência não é negativa em si mesma, mas indica uma realidade de insuficiência.
A deficiência é a incapacidade, a perda ou a limitação das oportunidades de participar da vida em igualdade de condições com os demais. Pessoas com enfermidades ou deficiência intelectuais, mentais, visuais, auditivas ou da fala e as que têm dificuldade de mobilidade enfrentam barreiras físicas e psicológicas quase que constantemente, sua superação ou redução exige soluções diferenciadas e assumidas pela sociedade. As pessoas com deficiência não constituem um grupo homogêneo, e sim uma realidade complexa e muito presente em todas as sociedades.
As pessoas construíram termos e expressões para designar, caracterizar e diferenciar as pessoas com deficiência: paralítico, anormal, aleijado, mongoloide, alienado, portador de necessidades especiais, mancos, especiais cego, inválidos, surdos-mudos, imperfeito, retardado, débil mental, excepcional, etc. Todas essas palavras foram incorporados pela cultura, expressam posicionamento diante dessas realidades humanas, em diversos contextos históricos e culturais, mais ou menos preconceituosos.
A família é o primeiro espaço de inclusão da pessoa com deficiência, quando ele coloca solidária, positiva, a favor da pessoa humana, as deficiências e limitações se superam naturalmente.
Toda a criança tem o direito a educação. A criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas. O desenvolvimento humano é caracterizado por Piaget como um processo construtivo, resultante das contínuas interações do sujeito com o mundo “[...] Os valores da criança, são moldados de acordo com a imagem do pai e da mãe, ou dos mais velhos[...] Acriança procura agir segundo os modelos que lhe ao impostos, desenvolvendo assim um eu ideal”.(p.105;114 e 115.) Aquelas com necessidades educativas especiais precisam ter acesso à escola regular, que deveria “acomoda-las” dentro de uma pedagogia capaz de satisfazer essas necessidades.
Inclusão, necessariamente, pressupõe a formação continuada de professores para usarem estratégias de ensino mais diversificadas e mais dinâmicas, ou seja, mais compatíveis às crianças: estratégias estas que oportunizem as crianças terem vozes e serem ouvidas e onde suas experiências de vida e de riqueza pessoal, assim como suas necessidades e carências, não sejam ignoradas e negligenciadas pelo professor ou pela escola, mas sejam partes integrantes da vida escolar.
“Inclusão pressupõe uma escola com uma política participativa e uma cultura inclusiva, onde todos os membros da comunidade escolar são colaboradores entre si, apóiam-se mutuamente e aprendem uns com os outros a partir da reflexão sobre as práticas docentes, pressupõe um maior envolvimento com a família e a escola e a comunidade, onde todos buscam uma educação de qualidade para todas as crianças”.(Revista da Educação Especial, outubro. 2005 p.44.).
Pode se ver que a inclusão escolar não significa automaticamente aprendizado e alfabetização. A qualidade do ensino e o currículo, normalmente não são adaptados as necessidades das crianças com deficiência. Muitas escolas ainda, prestam mais atenção aos “impedimentos” do que aos potenciais dos alunos com necessidades educativas especiais.
As escolas deveriam assumir que as diferenças humanas são normais. A aprendizagem deveria ser adaptada às necessidades da criança, ao invés de se exigir a adaptação da criança.
Para ser uma escola inclusiva a mesma precisa acolhe todos os alunos independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais ou outras, sendo o principal desafio desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, uma pedagogia capaz de educar e incluir além dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, aquelas que apresentam dificuldades temporárias ou permanentes na escola, as que estejam repetindo anos escolares, as que sejam a trabalhadores, as que vivem nas ruas, as que vivem na extrema pobreza, as que são vitimas de abusos, as que estão fora da escola, as que são superdotadas, pois a inclusão não se implica apenas aos alunos que apresentam alguma deficiência, como diz Hegarty, “[...]a escola inclusiva procura responder, de forma apropriada e com alta qualidade, à diferença em todas as formas que ela possa assumir” ( 2000.p.81).
“As escolas inclusivas propõem um modo de se constituir o sistema educacional que considera as necessidades de todos os alunos e que é estruturado em função dessas necessidades. A inclusão causa uma mudança na perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apóia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educativa em geral”, (MANTOAN, 1997, p.121).
Para que o sistema escolar construa uma comunidade escolar inclusiva é preciso o planejamento e o desenvolvimento do currículo que conduza aos resultados esperados pelo Estado e pelos setores educacionais. Preparar equipe para trabalhar de maneira cooperativa e compartilhar conhecimentos para melhorias, para um progresso contínuo. Investimento em tecnologia para dar apoio, servindo como um importante dispositivo da comunicação para conectar a escola à comunidade e o ensino dos resultados esperados, além de grupos de professores atuando como planejadores, instrutores e avaliadores de programas que conduzam a uma educação pedagógica inclusiva.
Como podemos perceber é necessário suporte para a ação pedagógica do professor. As adaptações curriculares são necessárias e constituem as possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos, Vygotsky, afirma que “uma prática escolar deverá necessariamente considerar o sujeito único, ativo e interativo no seu processo de conhecimento, já que ele não é visto como aquele que recebe passivamente as informações do exterior”(1996.p,109).
Por isso, percebe-se que é preciso refletir sobre a formação dos educadores, pois essa formação não é para preparar alguém para a diversidade, e sim para atender a todas as dificuldades possíveis na sala de aula, mas uma formação em que o educador irá olhar seu aluno de uma outra dimensão tendo assim acesso às peculiaridades desse aluno, entendendo e buscando apoio necessário.
Bibliografia
CONFERENCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Campanha da Fraternidade 2006: Manual/ Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.-CNBB- São Paulo: Editora Salesiana, 2005.
EGARTY, Seamus. O apoio centrado na escola; novas oportunidades e novos desafios. In: RODRIGUES, David (org). Educação e diferença. Porto, Porto Editora, 2000.
MANTOAN, Maria Tereza E. Ser ou estar, eis a questão: explicando o déficit intelectual. Rio de Janeiro:WVA, 1997.
Revista da Educação Especial, Outubro 2005.Ano I. Nº 01.
Texto publicado pela aluna Joice Possa - Pedagogia 1
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